"A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente." - Florbela Espanca
sexta-feira, 30 de março de 2012
chuva
Chove...
ouço as gotas que caem e batem ruidosamente no corrimão da varanda, aquele barulho metálico, aquela sinfonia sem cadencia certa não me deixa dormir, ouço-te respirar no escuro, são 4.23 da manhã, descansas perdida em mundos distantes, sonhos do qual tenho a certeza não fazer parte, sussurras, murmuras qualquer coisa, choras...coloco-te o braço por cima e pareces acalmar, murmuras qualquer coisa imperceptível mesmo para mim... escolho não tentar perceber, não será algo que queira ouvir de certeza
adormeço finalmente, hoje espero não sonhar, ultimamente não tem sido agradável...
quinta-feira, 29 de março de 2012
Teus Olhos Entristecem
Teus Olhos Entristecem
Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Alheamento
Alheamento
Meu corpo estiraçado, lânguido, ao logo do leito.
O cigarro vago azulando os meus dedos.
O rádio... a música...
A tua presença que esvoaça
em torno do cigarro, do ar, da música...
Ausência!, minha doce fuga!
Estranha coisa esta, a poesia,
que vai entornando mágoa nas horas
como um orvalho de lágrimas, escorrendo dos vidros
duma janela,
numa tarde vaga, vaga...
Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'
O cigarro vago azulando os meus dedos.
O rádio... a música...
A tua presença que esvoaça
em torno do cigarro, do ar, da música...
Ausência!, minha doce fuga!
Estranha coisa esta, a poesia,
que vai entornando mágoa nas horas
como um orvalho de lágrimas, escorrendo dos vidros
duma janela,
numa tarde vaga, vaga...
Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'
Meditação
Meditação
Às vezes, quando a noite vem caindo,
Tranquilamente, sossegadamente,
Encosto-me à janela e vou seguindo
A curva melancólica do Poente.
Não quero a luz acesa. Na penumbra,
Pensa-se mais e pensa-se melhor.
A luz magoa os olhos e deslumbra,
E eu quero ver em mim, ó meu amor!
Para fazer exame de consciência
Quero silêncio, paz, recolhimento
Pois só assim, durante a tua ausência,
Consigo libertar o pensamento.
Procuro então aniquilar em mim,
A nefasta influência que domina
Os meus nervos cansados; mas por fim,
Reconheço que amar-te é minha sina.
Longe de ti atrevo-me a pensar
Nesse estranho rigor que me acorrenta:
E tenho a sensação do alto mar,
Numa noite selvagem de tormenta.
Tens no olhar magias de profeta
Que sabe ler no céu, no mar, nas brasas...
Adivinhas... Serei a borboleta
Que vendo a luz deixa queimar as asas.
No entanto — vê lá tu!— Eu não lamento
Esta vontade que se impõe à minha...
Nem me revolto... cedo ao encantamento...
— Escrava que não soube ser Rainha!
Fernanda de Castro, in "Antemanhã"
Tranquilamente, sossegadamente,
Encosto-me à janela e vou seguindo
A curva melancólica do Poente.
Não quero a luz acesa. Na penumbra,
Pensa-se mais e pensa-se melhor.
A luz magoa os olhos e deslumbra,
E eu quero ver em mim, ó meu amor!
Para fazer exame de consciência
Quero silêncio, paz, recolhimento
Pois só assim, durante a tua ausência,
Consigo libertar o pensamento.
Procuro então aniquilar em mim,
A nefasta influência que domina
Os meus nervos cansados; mas por fim,
Reconheço que amar-te é minha sina.
Longe de ti atrevo-me a pensar
Nesse estranho rigor que me acorrenta:
E tenho a sensação do alto mar,
Numa noite selvagem de tormenta.
Tens no olhar magias de profeta
Que sabe ler no céu, no mar, nas brasas...
Adivinhas... Serei a borboleta
Que vendo a luz deixa queimar as asas.
No entanto — vê lá tu!— Eu não lamento
Esta vontade que se impõe à minha...
Nem me revolto... cedo ao encantamento...
— Escrava que não soube ser Rainha!
Fernanda de Castro, in "Antemanhã"
segunda-feira, 26 de março de 2012
Filmes e sentimentos
Ontem foi tarde de filmes, dois para ser exacto.
O 1º "Cavalo de Guerra" é um bom filme, mais que não seja porque foi a minha filha que me pediu para o arranjar porque gosta de cavalos :) e porque foi simplesmente bom ver algo em conjunto com ela e passar algum tempo juntos, faz-nos sentir mais perto e pensar que não estamos tão afastados como ás vezes parece...
O 2º filme é mais um grande filme com Tom Hanks, "Extremamente alto, incrivelmente perto" é uma abordagem muito forte ao 11 de Setembro e ao ataque ás torres gémeas, que alterou irremediavelmente centenas de vidas, fala num sentido mais familiar da questão e numa família que perde o pai nesse ataque... a mim deu-me saudades daqueles que já não estão cá, que me fazem falta, que me faziam sorrir mesmo em tempos difíceis e também daqueles que mesmo afastados, e por muito que queiram minimiza-los aos meus olhos, me dizem sempre algo..
foi uma tarde emocionante pelo menos, foi uma boa tarde para mim pelo menos
posições e escolhas
Uma das coisas que mais magoa é a capacidade que as pessoas têm de nos retirar o direito de opção e escolha, a liberdade de mesmo não gostando de algo pudermos escolher se a queremos ou não fazer, a assumpção que só porque não gostamos de fazer algo habitualmente, nunca o iremos fazer, é a materialização de que realmente não estamos em 1º, nem 2º nem num possível 10º ou 25º lugar, estaremos mesmo nas ultimas opções, quando não se encontra nada nem mais ninguém de pouco mais interessante e simplesmente não nos apetece estar só connosco próprios...
quinta-feira, 22 de março de 2012
para quem não sabe e me confunde
zangado
adjectivo
| 1. | que está de mau humor; irritado |
| 2. | contrariado |
| 3. | desavindo |
(Particípio passado de zangar)
triste
adjectivo
| 1. | privado de alegria; pesaroso |
| 2. | que inspira tristeza; penoso; doloroso |
| 3. | sombrio; funesto |
| 4. | obscuro; lúgubre |
| 5. | insignificante |
| 6. | mesquinho; miserável |
| 7. | ridículo |
nome 2 géneros
| pessoa infeliz, digna de dó |
nome masculino plural
| antiquado anéis com que as mulheres adornavam a cabeça |
(Do latim triste-, «idem»)
melancólico
adjectivo
| 1. | que sofre de melancolia |
| 2. | triste; abatido; desconsolado |
(Do latim melancholĭcu-, «idem»)
vêm? não é a mesma coisa, e as expressões faciais também são diferentes embora parecidas...
quinta-feira, 1 de março de 2012
Sou...
«Basta! Sou estrume! Esta é a minha certeza/ fertilizante orgânico/ do mal que tudo corrompe» assim diz "Ergástulo" dos Bizarra Locomotiva...eu sou isso e muito mais, sou incoerente, sou agressivo, sou violento, sou feio, sou incapaz, sou desconfiado, sou amorfo, sou pouco, sou dramático, sou dispensável, sou frio, não sou romântico, sou fraco, sou teimoso, não sou culto, não sou sensível, sou mesquinho, sou esquisito, não tenho gosto para roupa, sou atrofiado, sou injusto, não tenho amigos, sou obsessivo, sou obcecado, sou orgulhoso, sou mau, sou negativo, sou sem sabor, sou sem vontade, sou doente, sou descrente, sou dependente, sou mau musico, sou mau pai, sou mau estudante, sou mau trabalhador, sou exagerado, sou mole, sou frustrado, sou frustrante, sou mau no sexo, sou sonhadoramente afectado, sou um fiasco, sou mortalmente ineficaz, sou demasiado amigável, sou estupidamente confiante, sou frágil, sou dormente, sou tudo aquilo que ninguém quer, sou azarado, sou ignorante, sou melancólico, sou desiludido, sou iludido, sou inseguro, sou cínico, sou sarcástico .... "Odiamos o que quase somos."- Fernando Pessoa
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
hoje sou..
hoje... porque à uns dias me disseste que à muito que não escrevia...
Por falta de tempo, vontade, algo para escrever...às vezes fazia-me falta que o pensamento se materializa-se em escrita, tornava muita coisa mais simples, mais aberta, mais real, porque não pensamos tudo o que fazemos e muito menos fazemos tudo o que pensamos, seria real, sincero, revelador, aliviador, que os pensamentos se materializa-sem, que tudo o que penso fica-se escrito... esqueço-me de tanto que penso que até me faz impressão, gostava no entanto de reter o mais importante...mas ás vezes nem isso..
domingo, 1 de janeiro de 2012
bom ano 2012...
Espero que tenham um bom ano de 2012, agradeço a todos os que me desejaram o mesmo e tambem aqueles (mesmo mais proximos) que não me disseram nada...
Obrigado a todos e vamos a mais um ano do mesmo de sempre
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Às vezes..
Ás vezes penso que sou mais que os outros, que consigo superar tudo sem dor, tento ignorar tanta coisa que me magoa, que me convenço mesmo que no fundo o consigo fazer..infelizmente não, evito entrar em conflito, tento ignorar pequenos gestos, palavras, frases desnecessárias e mal medidas e mal-entendidos, há sempre mal-entendidos...ás vezes penso que sou só eu que penso nisto e que todos os outros andam de cabeça no ar, pois tudo isso me magoa...ou isso ou estão-se simplesmente a "cagar" para o que penso ou sinto...
Enfim, às vezes é melhor mesmo ignorar e continuar..
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
saudosos 90's
Aqui á uns dias que ando a pensar nisto, ora por conversas com amigos, ora para explicar à Jo o quão mau exemplo eu sou da escola, ora sozinho a pensar com o esquilo dentro da minha cabeça...
Que saudades que tenho dos anos 90, daquela atitude, daquela vontade de viver, de morrer, de rir e chorar, de experimentar coisas, de conhecer, de raiva contra tanta coisa, de amor..
Acho, ou melhor, lembro-me de ter acordado para a vida, ou a minha vida deu uma volta de 180º quando vim para Lisboa, não que fosse da santa terrinha, mas a vida na margem sul do Tejo é completamente diferente, e Lisboa tem tanto para se conhecer, para nos perdermos, de bom e de mau, e no meu caso foi o mau que levou a melhor durante alguns anos...
Além de ter passado a morar numa das piores zonas dos arredores de Lisboa, tinha uma raiva interna que me corroia, chumbei com 8 em 9 disciplinas no meu 1º ano de escola em Lisboa (8º ano intenda-se), passei ao lado de uma possivel carreira como futebolista, ás vezes é preciso um apoio, um empurrão, mas o apoio estava a 2000 e alguns km e o empurrão tinha novas prioridades..
Foi em 91, o album Arise da banda liderada por um sr. chamado Max Cavalera revolucionou-me, a musica era agressiva, o aspecto tambem, os cabelos longos, as botas da tropa, as calças e tshirts pretas serviam à mudança exterior, o alcool que até então desconhecia passou a ser um amigo mais intimo bem como outras substancias "menos proprias"
Serviu para começar a ser menos (ou mais) gozado na escola, serviu pelo menos para me deixarem em paz..(sim o bullying já existia, e um caixa de oculos como eu nao fugia à regra de gozo e maus tratos em geral)
Em 92 vi o meu 1 concerto, Guns n'Roses, no estadio de Alvade, na bancada, porque era uma musica muito maluca....certo... nesse palco juntaram-se 2 bandas desconhecidas que pouco tempo depois se tornaram lendas, Soundgarden, de Cris Cornell e Faith no More do magnifico Mike Patton, (este sr. é simplesmente fantástico!)...fcou prometido, Metallica no ano seguinte seria no relvado bem perto do palco, assim aconteceu, com a sorte de conhecer um segurança e entrar no snake pit a 1 mt do palco... Suicidal Tendencias com Rob Trujillo (hoje nos Metallica..quem diria) mesmo à minha frente a paixão por tocar baixo nasceu, aquela 1ª parte foi arrasadora, nunca tinha andado num mosh...Cult serviu para descançar e Metallica arrasou todas as minhas expectativas, foi memoravel... a partir dai a minha descoberta passou por diversas bandas, onde antigamente ouvia Michael Jackson, Tina Turner, Rod Stewart, Bon Jovi, algumas musicas de Scorpions, passei a procurar de tudo um pouco Slayer, Sepultura, Machine Head, Iron Maiden, Biohazard, Cannibal Corpse, Ratos de Porão, Fear Factory, Napalm Death, Pantera...são tantas as bandas que gastaria linhas e linhas e não conseguiria possivelmente enumera-las todas...
Os 90's foram uma decada em termos musicais muito boa em Portugal, foram tantos os concertos que fui, tantas as festas no velhinho e desaparecido Johnny Guitar, grande parte das vezes sozinho em sitios desde Cascais (dramatico) até Almada (incrivel Almadense), passando por Corroios, Belem, Graça, Bairro Alto, etc, conseguia-se juntando os trocos da mesada ir a quase todo o lado, coisa que hoje em dia se torna impossivel, com bilhetes o mais barato a 30€....
Conseguia-se andar nas ruas apesar da criminalidade, o respeito ainda existia, por outro lado não existiam telemoveis, internet, só tinhamos meia duzia de canais e só para aqueles com parabolica..
Sinceramente eu prefiro os anos 90, hoje em dia é tudo mais complicado, muitos valores perderam-se, alguns até soam ridiculos a algumas pessoas, nunca há tempo para nada, e existe algo chamado stress e depressão de que aparentemente todos sofremos...
(continua...)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Maioridade ou apenas a meio ou um terço do caminho...
Hoje, hoje foi quando tudo começou, hoje à 18 anos foi um dia importante, como o deveria ter sido ao longo destes anos todos..
Por vezes esquecido, desprezado, diminuído, nunca desapareceu é certo, por alguma razão, razão que desconhecia até á pouco tempo...
Ao longo dos anos não tem sido fácil de lidar, de crescer, de não fazer asneiras em tudo, já dizia o Tim "- Nunca dei um passo, Que fosse o correcto, Eu nunca fiz nada, Que batesse certo..." no entanto com maior ou menos dificuldade tudo se manteve até hoje, isto é capaz de querer dizer algo no fim de contas
À luz dos fantasmas recentes, recentes de mais, pesados e demasiados, acho que cresci, cresci forçosamente, descontrolado, sem saber tomar as decisões certas, principalmente nos timings correctos, mas cresci, amadureci, percebi o que queria e onde queria estar e principalmente para onde queria levar todo o resto da minha vida..
Espero que para ti tenha sido tão bom como para mim, que os momentos bons tenham sido muito superiores aos maus, eu sei que para mim foram e como diz o Palma "-Enquanto houver estrada pra andar, A gente vai continuar, Enquanto houver estrada pra andar, Enquanto houver ventos e mar, A gente não vai parar, Enquanto houver ventos e mar..."
MMLS SEMPRE..como á 18 anos atrás AMO-TE!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A Vida
"A vida é apenas isto: um encadeamento de acasos bons e maus, encadeamento sem lógica, nem razão; é preciso a gente olhá-la de frente com coragem e pensar, mas sem desfalecimentos, que a nossa hora há-de vir, que a gente há-de ter um dia em que há-de poder dormir, e não ouvir, não ver, não compreender nada." Florbela Espanca
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Autumn Leaves
The falling leaves drift by my window
The falling leaves of red and gold
I see your lips, the summer kisses
The sunburned hands I used to hold
Since you went away the days grow long
And soon I'll hear old winter's song
But I miss you most of all, my darling
When autumn leaves start to fall
Since you went away the days grow long
And soon I'll hear old winter's song
But I miss you most of all, my darling
When autumn leaves start to fall
I miss you most of all, my darling
When autumn leaves start to fall
The falling leaves of red and gold
I see your lips, the summer kisses
The sunburned hands I used to hold
Since you went away the days grow long
And soon I'll hear old winter's song
But I miss you most of all, my darling
When autumn leaves start to fall
Since you went away the days grow long
And soon I'll hear old winter's song
But I miss you most of all, my darling
When autumn leaves start to fall
I miss you most of all, my darling
When autumn leaves start to fall
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
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